domingo, 25 de fevereiro de 2007

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina




Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina





Faixa litoral marginada por um planalto costeiro com falésias abruptas e muito recortadas que escondem pequenas praias de areia.
Acrescentem-se troços de arriba baixa, cordões dunares, um infindável cortejo de ilhotas e recifes, a ilha do Pessegueiro, o estuário do Mira, o cabo Sardão, o promontório de Sagres... Os xistos de Arrifana e Odeceixe e os calcários de Sagres contrastam com sistemas dunares tão diversos quanto os de Milfontes ou do Sardão. Há um estranho recife de coral na Carrapateira.As plantas lutam contra a rudeza do solo e a franca exposição aos ventos e à salinidade marinha. Abundam os endemismos botânicos nomeadamente nas zonas de Sagres - São Vicente e Carrapateira. Há trechos bem conservados de vegetação dunar, um ou outro sapal e bosquetes de sobreiro e medronheiro em barrancos menos acessíveis.Nas falésias poisam Corvos-marinhos e Pombos-da-rocha. As cegonhas e as garças levam o inédito ao ponto de erguerem ninhos em rochedos em pleno mar. Este litoral é ainda importante corredor migratório para numerosos passeriformes, limícolas, aves de presa e aves marinhas. Há populações costeiras de Lontra adaptadas à vida marinha e abundância de peixe.Dizer Sudoeste é também falar em vestígios pré-históricos, testemunhos fenícios, árabes e romanos bem como construções defensivas de séculos mais recentes. Pequenos aglomerados dispersos fazem o presente, poiso de homens do campo, não raro, ligados ao mar. Aos que lá vivem juntam-se, cada vez mais, os que lá vão, atraídos por paisagens mais próximas da ideia que muitos se fazem do natural.



Fonte: ICN

Parque Natural da Arrábida




Parque Natural da Arrábida





O maciço litoral da Arrábida estende-se do Outão ao cabo Espichel. A costa é alta e alcantilada, caindo abrupta no oceano. Mais para o interior, a serra faz-se vale: Palmela, Picheleiro, Rasca...
A pedra da Anixa, um despojo fendido a meio e ancorado na enseada do Portinho, testemunha um litoral desaparecido. A exposição a Sul, o abrigo da nortada fria, a influência combinada da humidade do mar e da secura interior, a natureza dos solos e a acção humana explicam a fisionomia actual da vegetação da Arrábida. O coberto vegetal, de cariz mediterrânico, misto de folhado, murta, aroeira, medronheiro e carrasco atinge, nos vales mais cavados um porte fora do comum sugerindo algo próximo da floresta virgem.As matas albergam numerosos passeriformes. Proliferam os lepidópteros. O mar de Sesimbra, em parte “reserva marinha”, apresenta evidente interesse zoológico: esponjas e anémonas, crustáceos e moluscos, pepinos e ouriços-do-mar coabitam com variadas espécies piscícolas. O Roaz-corvineiro frequenta estas águas.Agricultura, exploração florestal, extracção de inertes e recreio sintetizam as actividades exercidas no Parque Natural. Jazidas arqueológicas, vestígios da ocupação romana e da presença árabe a par de monumentos religiosos, palácios senhoriais e conjuntos de arquitectura popular contam histórias e criam ambientes.No cabo Espichel, a jazida dos Lagosteiros, situada na baía do mesmo nome (Cretácico Inferior -120 MA) guarda um longo trilho de um dinossáurio bípede e impressões doutros animais enquanto que na jazida da Pedra da Mua (Jurássico Superior – 150 MA) surgem conjuntos de trilhos de dinossáurios saurópodes.



Fonte :ICN

Parque Natural de Sintra-Cascais




Parque Natural de Sintra-Cascais





O maciço de Sintra contrasta com a zona de colinas baixas que o rodeiam. Alongando-se no sentido leste-oeste a serra mergulha no mar de forma quase abrupta.
Da Cidadela de Cascais à foz do Falcão, desenha-se uma costa de arribas baixas e altas, zonas dunares, praias de seixos, cachopos e farilhões em que sobressaem o promontório do cabo Raso, as dunas fósseis de Magoito e de Oitavos, as dunas do Guincho e as arribas da Roca que se estendem até à Ericeira. A uma Sintra nua e escalvada, outrora objecto de intenso pastoreio que desbaratou carvalhos, medronheiros e sobreiros, opõe-se, hoje, outra, densa e exuberante, domínio da árvore, cujas tonalidades contrastam, vivamente, com o planalto de São João das Lampas, plataforma calcária de solos pobres. Já a várzea de Colares é bem diversa. Árvores fruteiras, intensa horticultura, a videira e manchas arbóreas conferem, ainda hoje, a todo este vale um particular atractivo.Pela serra estão bem presentes as obras dos homens, umas monumentais e sobejamente conhecidas, outras, mais recatadas, as quintas, outras ainda bem presentes mas por vezes ignoradas como é o caso de inúmeros testemunhos da arquitectura popular. Situado em região de demografia galopante e construção excessiva, o Parque Natural é importante destino turístico e a sua envolvente, nitidamente urbana, alberga indústrias e serviços variados.




Fonte: ICN

Parque Natural da Serra de S. Mamede




Parque Natural da Serra de S. Mamede




A Serra de São Mamede é o mais importante dos relevos alentejanos. Aos granitos, a geologia acrescenta outras rochas que, ao longo do maciço adquirem, por vezes, formas curiosas, caso das cristas quartzíticas, a sugerirem, o dorso de seres pré-históricos.
Numa região em que a expressão mediterrânica é já manifesta, carvalhais e castinçais sugerem paragens mais setentrionais vivendo paredes-meias com sobreiros, azinheiras, oliveiras e todo um cortejo de plantas silvestres. Sucedem-se os habitats e os cambiantes de cor em curtos trechos do caminho.O elenco de mamíferos presentes integra espécies ameaçadas como a Lontra ou raras, como o Rato-de-Cabrera. A gruta calcária da Cova da Moura alberga importante colónia de morcegos. A avifauna está representada por mais de metade das espécies nidificantes em Portugal. Alguns endemismos entre répteis e anfíbios. Espécies piscícolas, como a Carpa e o Barbo, colonizam as linhas de água.A anta da Castelhana, as ruínas romanas de São Salvador da Aramenha, a ponte medieva da Torre da Portagem a fortaleza de Marvão, o casario a espraiar-se pela encosta de Castelo de Vide, os fornos de cal da Escusa, que remontam à época romana, Portalegre, "...cercada / De serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros", tal como o cantou Régio, testemunham antiga presença humana. Agricultura e pecuária, alguma actividade industrial (Portalegre) e turismo crescente são as actividades dominantes.
Fonte: ICN

Parque Natural do Tejo Internacional




Parque Natural do Tejo Internacional





O troço fronteiriço internacional do rio Tejo, bem como os vales e áreas aplanadas confinantes, é uma das zonas menos povoadas e menos frequentadas do continente português.
O substrato geológico é dominantemente xistoso e suporta um interessante cortejo de espécies vegetais com destaque para os bosques e matos com sobreiro ou azinheira, formações arbustivas com oliveira e galerias de salgueiros ao longo das linhas de água.Presença de estepes cerealíferas e predomínio da esteva nos terrenos menos férteis da raia. No domínio da fauna já foram recenseadas mais de duas centenas de espécies animais com destaque para mamíferos como a lontra, o gato-bravo e a gineta havendo também a registar a presença de veados, sobretudo ao longo dos vales dos rios Tejo e Erges. Em termos de avifauna avistam-se cegonhas-negras - espécie considerada em perigo de extinção no território português – para além de numerosas aves de presa que nidificam nas escarpas fluviais caso da águia-de-Bonelli, águia-real, abutre-negro, abutre-do-Egipto e grifo. Os vales encaixados, casos do Tejo e do Erges impressionam pelo seu carácter agreste erguendo-se, aqui e além, afloramentos rochosos em forma de escarpa que formam, por vezes, verdadeiras gargantas rochosas como é o caso do Erges em Segura.




Fonte: ICN



Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros




Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros





A secura, acentuada pela ausência de cursos de água superficiais, marca uma paisagem a que falhas, escarpas e afloramentos rochosos conferem um traço vigoroso.
A água corre através de uma intrincada rede subterrânea. A erosão cársica originou formações características - poldjes, campos de lapiás, lapas e algares, uvalas e dolinas numa rara profusão de formas. As cavidades são férteis em temas espeleológicos.O coberto vegetal é marcado pela presença de pequenas manchas de carvalho cerquinho ou a azinheira. Dentre as plantas autóctones destaca-se o cortejo das plantas aromáticas, medicinais e melíferas repartidas por algumas dezenas de espécies. A oliveira, a recordar o esforço dos cistercienses, domina a vegetação não espontânea. A fauna destes calcários inclui numerosas aves, nomeadamente a Gralha-de-bico-vermelho, com hábitos de nidificação cavernícola. Uma dezena de espécies de morcegos.A presença humana é atestada desde o paleolítico. A estrada romana de Alqueidão da Serra testemunha caminhos antigos. Têxtil, curtumes, agricultura, criação intensiva de gado e indústria extractiva de pedra e argila justificam, na actualidade, a presença de numerosa população. A jazida da Pedreira do Galinha, na vertente oriental da serra de Aire (Jurássico Médio- 175 MA) contém a mais antiga e longa (147m) pista de dinossáurio saurópode até hoje conhecida no mundo. Centenas de pegadas organizam-se em cerca de duas dezenas de pistas constituídas pelas impressões deixadas por grandes animais quadrúpedes.




Fonte: ICN

Parque Natural do Alvão




Parque Natural do Alvão





O Alvão, maciço essencialmente granítico, culmina no Alto das Caravelas, ponto cimeiro da imponente escarpa rochosa que se precipita sobre os vales do Corgo e do Cabril.
Diante do Alto do Fojo, uma proeminência rochosa domina o anfiteatro rochoso das Fisgas do Ermelo por onde se precipita o Olo. O rio, após escavar um leito muito apertado numa barreira de resistentes quartzitos, precipita-se em cascata.Os carvalhais dominam as zonas mais elevadas a eles se associando o vidoeiro, na proximidade das linhas de água, bem como a aveleira, o azevinho, o castanheiro e o loureiro formando bosques mistos de folhosas. Há plantas raras como a Rorela, uma espécie carnívora que medra nos terrenos encharcados e margens dos cursos de água. Nesta serra de horizontes largos e paisagens de perder o fôlego, pejada de granitos e xistos, foi com pedra que se fizeram as casas e se embelezaram os povoados - Lamas de Olo, Ermelo, Barreiro... Essa mesma pedra sustém os socalcos em Fervença. Entre as massas rochosas emergem, aqui e além, campos de centeio, milho e batata, lameiros onde se cria o gado maronês, baldios em que se apascenta a cabrada.
Fonte: ICN

Parque Natural do Litoral Norte




Parque Natural do Litoral Norte





Do monte de São Lourenço domina-se a faixa costeira entre a foz do Cávado e a Apúlia, um horizonte raso onde, durante muito, as fainas do mar se confundiram com o trabalhar da terra. Parte destes areais do litoral minhoto foram colonizados graças ao sargaço colhido no mar e empregue como fertilizante do solo.
Escavando as areias e recolhendo algas, gerações de camponeses-recolectores trouxeram à cultura terrenos dantes tidos por estéreis. Talhados "em masseira" ou "gamela" e descendo até bem próximo da toalha freática, neles se pratica, ainda hoje, a cultura de primores.Na vizinhança destes campos, a linha de costa é feita de praias de mar e de rio bem como cordões dunares e nela se inserem os pequenos estuários do Cávado e Neiva, ponto de passagem para peixes migradores, caso da lampreia e da enguia, e local de guarida de numerosas aves. Por outro lado, esta orla litoral, de feição baixa e arenosa, é palco de intensa actividade e objecto de crescente procura turística sofrendo, simultaneamente, de um lento mas progressivo processo de erosão costeira. Adefesa do sistema dunar é pois um dos objectivos centrais deste Parque Natural.A faixa marítima contígua à Área Protegida, e numa profundidade de 2,5 milhas marítimas, também foi classificada a fim de preservar a diversidade marinha tanto mais por se tratar de uma zona em que a pesca artesanal tem uma expressão evidente.




Fonte: ICN



Parque Natural de Montesinho




Parque Natural de Montesinho




Área planáltica, sem cumes abruptos, cortada por vales fluviais, por vezes profundos, que ajudam a distinguir a "serra" da "ribeira". Solos essencialmente xistosos aflorando o calcário em Cova da Lua e Dine. Manchas graníticas nas alturas da serra de Montesinho e em Pinheiros.
A paisagem vegetal inclui matas de carvalhos e castanho. Amieiros, freixos e salgueiros povoam as margens ribeirinhas. O vidoeiro ocupa as paragens mais elevadas. Esteva, giesta e carrascais ocupam as encostas mais soalheiras. Os solos mais pedregosos são ocupados por matos de urze e carqueja. O verde dos lameiros enfeita a paisagem. Fauna variada com destaque para o Lobo. Presença de mais de uma centena de aves nidificantes, entre as quais várias rapinas como a Águia-real. O grupo dos anfíbios e répteis está representado por algumas espécies endémicas.Concentraram-se os povoados, agregaram-se-lhes hortejos, espalharam-se lameiros e, à medida que se ganhava altura, semearam-se as folhas de cereal. Nos baldios da serra apascentavam-se os gados. Um difícil acesso ao oceano, o profundo entalhe do Douro a fechar o sul e a imensidão das espanhas contornando o quadrante norte, tudo concorreu para um certo afastamento conferindo à paisagem e aos que nela habitam o carácter de nobre sobriedade que lhes conhecemos.




Fonte: ICN



Parque Natural da Serra da Estrela




Parque Natural da Serra da Estrela




A Estrela apresenta-se como um monolíto visivelmente destacado das terras mais baixas que a rodeiam. As suas vertentes caem abruptamente sobre a Cova da Beira e vale do Mondego.
O rio, no seu curso superior, divide-a em dois ramos: um domina a bacia de Celorico; o outro, morre no promontório em que assenta a Guarda. A ocidente, o granito passa a xisto, dando lugar aos cimos boleados do Açor. Por toda a parte são visíveis os vestígios da última glaciação: blocos erráticos, covões, moreias, lagoas e vales glaciários como os do Zêzere e do Alforfa.O sopé da montanha, de influência mediterrânica, é objecto de intenso aproveitamento cultural; o andar intermédio, domínio do carvalho negral, possui manchas de castanho a par de giestais, urgueirais, piornais e sargaçais para além de povoamentos de pinheiro bravo e outras espécies exóticas; no andar superior surgem os zimbrais, cervunais e arrelevados, bem como comunidades vegetais rupícolas e lacustres. A fauna da Estrela apresenta-se hoje depauperada; entre as espécies presentes deve citar-se a Lagartixa-de-montanha, no seu único habitat no continente português. O povoamento humano é escasso; apenas Manteigas, os casais de Folgosinho e as Penhas - Douradas e da Saúde - atestam uma presença humana constante; tudo o mais é periférico. À medida que se ganha altitude, as culturas mais cuidadas cedem o lugar a um ou outro campo de centeio e às pastagens. Lobos, rebanhos e pastores tal como o surto da indústria têxtil em torno da serra são já história passada.
Fonte: ICN

Parque Natural do Douro Internacional




Parque Natural do Douro Internacional




De rio de águas violentas o Douro, graças às barragens, fez-se um vasto e tranquilo espelho de água aprisionado entre muralhas a prumo sendo notório o contraste entre a estreita garganta por onde corre e o ondulado das superfícies adjacentes.
A região inclui-se no domínio do carvalhal - bosques de carvalho negral e cerquinho, nas zonas de maior altitude e de azinheira, nas franjas das matas de carvalho-cerquinho e nos terrenos mais secos. Há zimbrais nos vales apertados e em esporões rochosos do Douro e seus afluentes, bosques de amieiros, salgueiros e freixos junto às linhas de água e grandes extensões de giesta e esteva.A fauna presente distingue-se pelo número de espécies e pelo seu estatuto de conservação: Águia-real e Cegonha-negra estão em perigo de extinção; Abutre-do-Egito e Gralha-de-bico-vermelho são vulneráveis; Águia-de-Bonelli e Falcão-peregrino são espécies raras. A lista dos mamíferos inclui Lobo, Toupeira de água, Morcego-de-peluche, Rato-de-Cabrera, Lontra, Gato-bravo... No grupo dos anfíbios e répteis podem citar-se alguns endemismos ibéricos.As casas concentram-se, envoltas por campos cultivados. A floresta é escassa e uma faixa de incultos acompanha o escarpado do rio e seus afluentes. Nas zonas planálticas predomina a cultura de cereais; os lameiros ocupam as zonas mais baixas e húmidas dos vales. Há terra de olival; vinhedos, sobretudo, entre Picote e Bruçó; amendoais e laranjais em terrenos de "ladeira". Criam-se ovelhas e gado bovino mirandês. O pombo, abrigado nos tradicionais pombais, faz parte da dieta do agricultor e enriquece a terra.
Fonte: ICN

Criminalidade e economia madeireira

Criminalidade e economia madeireira

A indústria florestal alimenta algumas das guerras mais sangrentas da atualidade, da Costa do Marfim à Libéria, do Camboja à Birmânia. Mesmo em países sem guerra, a exploração ilegal das florestas conduziu ao aumento da corrupção e amputou a renda do Estado
Em vários países, principalmente da África, a indústria florestal alimenta algumas das guerras mais sangrentas da nossa época. Matéria-prima preciosa, fácil de explorar, imediatamente vendável, a madeira se tornou o recurso escolhido pelas facções em conflito, as redes mafiosas e os comerciantes de armas. Sua exploração fornece a estes grupos as redes financeiras e a logística necessária à condução de uma guerra. Em troca, governo ou movimento insurrecional recompensam às vezes com privilégios florestais aqueles que os apoiaram. Esta utilização criminosa da madeira, que passa quase que despercebida, alimenta – ou alimentou – diversos conflitos, da Costa do Marfim à Libéria, do Camboja à Birmânia.
O grupo de especialistas das Nações Unidas estima que os interesses financeiros em jogo no comércio da madeira poderiam conduzir cada parte a perpetuar indefinidamente um conflito
Foi assim que a tão mortífera guerra civil de Serra Leoa (1990-2001) foi em parte mantida por capitais provenientes da indústria da madeira liberiana1. Em 2003, o ex-presidente Charles Taylor até reconheceu publicamente ter utilizado o dinheiro da madeira para comprar armas, em violação do embargo decidido pelas Nações Unidas2. Além disso, no fim de 2002, o governador da Monróvia e certas sociedades florestais locais financiaram e armaram diretamente a rebelião nas províncias ocidentais da Costa do Marfim3. Mesmo em países sem guerra, como Camarões, a exploração ilegal das florestas conduziu ao aumento da corrupção e amputou a renda do Estado4.
“Madeira de conflito”
Outros continentes são atingidos por essa via criminosa: nos anos 90, a venda da madeira proporcionou amplos recursos ao Khmer Vermelho (entre 10 e 20 milhões de dólares por mês duarante as estações secas). Este comércio não se limitou a financiar a guerra: ele se tornou a causa do conflito em si. Em 1991, Pol Pot pôde declarar: “Nosso país não tem capital suficiente para desenvolver sua potência nem para aumentar suas forças armadas... Os recursos naturais existentes [nas zonas liberadas ou semi-liberadas] devem necessariamente ser exploradas5”. Na Rússia, a máfia teria interesses na indústria florestal da Sibéria6.
Pode-se falar de “madeira de conflito”. Este termo foi utilizado pela primeira vez em 2001, por um grupo de especialistas nomeado pelas Nações Unidas7 para investigar a exploração ilegal de recursos naturais na República Democrática do Congo (RDC). A quantidade de madeira avaliada pelas facções rebeldes, as empresas e as forças armadas governamentais nos países vizinhos é tão expressiva que, em Uganda, os preços desta matéria prima caíram 50% entre 1998 e 2003. O grupo de especialistas das Nações Unidas estima que os interesses financeiros em jogo poderiam conduzir cada parte a perpetuar indefinidamente o conflito. Eles desvendaram redes bastante ramificadas estabelecidas por Uganda, Ruanda e Zimbábue.
Interesses em perpetuar o conflito
Uma parte expressiva dos lucros gerados a curto prazo não vão para o tesouro nacional, mas para os bolsos das elites
A utilização criminosa dos recursos do congoleses se estenderam bem além das fronteiras da RDC: mais de 100 pessoas e sociedades foram apontadas diretamente pelos especialistas8. Segundo a organização não governamental Global Witness, a “madeira de conflito” se define como aquela que “num dado momento da cadeia de exploração, foi objeto de transações comerciais implicando grupos armados, quer se trate de facções rebeldes, soldados regulares ou de uma administração civil implicada num conflito armado; quer se trate, mais além, de perpetuar o conflito e de utilizá-lo para realizar ganhos pessoais”.
Existe igualmente uma outra forma de utilização criminosa da madeira: a exploração em violação das legislações nacionais e das convenções internacionais, como as que regem as espécies e as florestas protegidas. Como no caso da “madeira de conflito”, fundos são subtraídos aos orçamentos nacionais, geralmente sem que a comunidade internacional o saiba. Uma parte expressiva dos lucros gerados a curto prazo não vão para o tesouro nacional, mas para os bolsos das elites. A opacidade que caracteriza estas operações torna necessária a adoção de uma regulamentação visando, por um lado, cortar os laços entre a “madeira de conflito”, o comércio ilegal de armas e a indústria marítima e, por outro, pôr um fim na importação, pelos países ricos, de madeira ilicitamente explorada.
Redes criminosas
Na África, um pequeno número de pessoas, inseridas em vastas redes criminosas, coordenam as vendas de armas em troca de recursos naturais como a madeira ou o diamante
Na África, um pequeno número de pessoas, freqüentemente inseridas em vastas redes criminosas, coordenam as vendas de armas em troca de recursos naturais como a madeira ou o diamante. Entre estas, figura o tristemente célebre Victor Bout, conhecido sob a alcunha de “mercador da morte”. Este homem de negócios se encontra sob o peso de um mandado de prisão internacional. Ele teria misturado a exploração de recursos naturais e a venda de armas9 em vários países africanos estraçalhados pela guerra (Ruanda, Serra Leoa, Angola, Libéria, RDC). Na Libéria, encontra-se Gus Kouwenhoven, da companhia malaia Oriental Timber Company (OTC) colocada em juízo pelas Nações Unidas por suas atividades ilegais10, e Sanjivan Ruprah, acusado de tráfico de diamantes. Estes três homens foram proibidos de viajar pelas Nações Unidas, em razão do apoio financeiro e militar que eles teriam levado aos rebeldes do Front Revolucionário Unido (RUF) na guerra civil em Serra Leoa.
Estima-se que de 40% a 50% do comércio mundial de armas leves seja ilegal. Sem mecanismos de fiscalização adequados visando os intermediários, o tráfico de armas permanecerá uma indústria lucrativa e atrativa, prosperando com a desregulamentação do comércio internacional. Em 2002, apenas seis países haviam adotado uma legislação dirigida explicitamente aos revendedores11. Se as armas são mais freqüentemente transportadas por avião, o mar é cada vez mais utilizado. O frete marítimo se desenvolve num ambiente mal regulamentado e opaco. As mercadorias viajam geralmente em contêineres e são os próprios exportadores que estabelecem o essencial dos manifestos de saída12. Além disso, estes contêineres raramente são revistados, de forma que os transportadores não conhecem geralmente a natureza exata das mercadorias que lhes são confiadas. Ora, com a maior parte dos cargueiros podendo acolher entre 5 mil e 7 mil contêineres, o contrabando de armas para as zonas de conflito se revela de uma facilidade alarmante.
A responsabilidade dos países importadores
Os países importadores de “madeira de conflito” jogam a responsabilidade nos exportadores, mas continuam a comprá-la de empresas notoriamente implicadas no tráfico de armas
Se todo governo goza do direito soberano de dispor como bem entender de seus recursos naturais, é preciso respeitar os regulamentos internacionais e a fortiori suas próprias leis. O que deveria significar, para a madeira, como para o diamante, uma exploração sustentável e com benefício para a população. O governo liberiano, por exemplo, teria passado a borracha sobre dois milhões de dólares em taxas aduaneiras que lhe devia a OTC; a soma teria sido depositada diretamente para o presidente, para seu uso pessoal, enquanto os lenhadores não recebiam mais seu salário. A OTC criou suas próprias prisões, suas próprias casernas e uma milícia de mais de 2.500 homens13.
Os países importadores de “madeira de conflito” jogam a responsabilidade nos países exportadores. Eles continuam a comprá-la de empresas notoriamente implicadas no tráfico de armas ou em conflitos sangrentos. Algumas destas sociedades se lançaram numa vasta campanha de relações públicas nas quais elas alardeiam uma maior preocupação com os direitos humanos e com o meio ambiente. Tomando liberdade para com a realidade, elas deixam crer aos compradores que a madeira vendida não resulta nem de uma destruição ilegal da natureza nem de uma indústria ligada à guerra. É o que acontece com a companhia dinamarquesa DLH que, apesar promessa de só adquirir provisões com fornecedores que respeitem a legalidade e o ambiente, continua a comprar a “madeira de conflito” da Libéria.
O sofrimento da população civil
Apenas os que estão diretamente interessados na manutenção deste comércio podem sustentar que a indústria florestal melhora a vida das pessoas em tais situações de conflito
As conseqüências desta deriva são duramente e imediatamente sentidas pelas populações civis. Aquela que moram no território de uma concessão florestal, em geral, não têm mais acesso à floresta. O desmatamento e as expulsões freqüentes abalam os modos de vida: o acesso aos alimentos ou aos bens de primeira necessidade como os medicamentos se encontra complicado. Na Libéria, moradores deram queixa, sem sucesso, contra os métodos da OTC. Além disso, as mudanças no ecossistema local provocam freqüentemente inundações ou secas. Apenas os que estão diretamente interessados na manutenção deste comércio podem sustentar que a indústria florestal melhora a vida das pessoas em tais situações de conflito.
Ao que parece, só uma proibição global da “madeira de conflito”, decretada pelas Nações Unidas poderia por um fim a estas compras. Alguns progressos devem ser, de qualquer maneira, assinalados. Em maio de 2003, o conselho de segurança das Nações Unidas impôs um embargo sobre toda a madeira proveniente da Libéria, a partir de julho de 2003. Relatórios redigidos pelo grupo de especialistas para a República Democrática do Congo conduziram ao confisco de vários bens de firmas que intervinham lá e vários funcionários foram suspensos. Um estatuto de observador independente foi concedido à ONG Global Witness. No entanto, diversas recomendações formuladas pelos especialistas permaneceram letra morta. No Camboja, o observador independente que cumpria corretamente sua missão foi enviado de volta.
Progresso ameaçado
Quanto ao progresso que representa o embargo sobre a madeira liberiana, ele está ameaçado por um programa de “alimento por madeira”, que o conselho de segurança das Nações Unidas poderia adotar antes do fim de 2003. Este programa colocaria fim no embargo decidido em maio de 2003 e permitiria a retomada da exploração florestal a fim de financiar as importações de gêneros humanitários. No entanto, uma tal decisão não considera absolutamente as ligações estreitas entre a indústria florestal liberiana e o tráfico de armas, as violações em grande escala dos direitos humanos por algumas milícias patronais nem o fato de que elas restabeleceriam o acesso às concessões florestais tanto para governo, como para os grupos rebeldes, que não deixariam de aproveitar.
Os rebeldes do Liberianos Unidos para a Reconciliação e a Democracia (LURD) e do Movimento pela Democracia na Libéria (Model) controlam as regiões florestais da Libéria. Depois da queda de Charles Taylor em agosto de 200314, o Model teve confiada a si a direção interina da Autoridade de Desenvolvimento Florestal. Além disso, seria praticamente impossível controlar o comércio num país a tal ponto estraçalhado pela guerra. Semelhante programa cria o risco de enriquecer as facções em conflitos e de hipotecar um importante recurso nacional em benefício de uma elite muito restrita.
* Jornalista, membro da associação Global Witness.
1 - Relatório sobre o desenvolvimento humano. Nações Unidas, NoYork, 2000. 2 - “Liberia denies Ivorian rebel links”, BBC News, Londres, 3 de abril 2003. 3 - Global Witness, “The Usual Suspects. As armas e os mercenários da Libéria na Costa do Marfim e em Serra Leoa”, março de 2003, www.oneworld.org/globalwitness/. 4 - Global Witness, “ The Logs of War: the timber trade and armed conflict ”, novembro 2002. 5 - “The Logs of War: the timber trade and armed conflict ”, op. Cit. 6 - “The Wild East ”, Forests Monitor, Cambridge, Reino Unido, 2001 ; “ Loogers wreak havoc in Siberia ”, BBC news online, Londres, 4 de novembro de 2000. 7 - Relatório final do grupo de especialistas das Nações Unidas sobre a exploraçao ilegal de recursos naturais, Nações Unidas, Nova York, 2002. 8 - Ler Colette Braeckman, “ Guerra sem vencedores na República Democrática do Congo ”, Le Monde diplomatique, abril de 2001. 9 - “Gunrunners”, PBS Frontline series, 2002, www.pbs.org 10 - The Perspective magazine, 20 de março 2000, www. the perspective.org et Rélatório do grupo de especialistas das Nações Unidas sobre Serra Leoa (S/2000/1195), 2000. 11 - Brian Wood and Johan Peleman, The Arms Fixers: Controlling the Brokers and Shipping Agents, Prio publications, Oslo, 2002. 12 - Descrição das mercadorias transportadas por um navio destinado às alfândegas. 13 - The Usual Suspects, op. cit., 2003. 14 - M. Guyde Briant tomou posse no dia 14 de outubro de 2003 como presidente da Libéria.
Fonte:Le Monde

Planeta perdeu 2,4 por cento das florestas desde 1990



Planeta perdeu 2,4 por cento das florestas desde 1990


As florestas do mundo, que cobrem 3866 milhões de hectares - representando pouco menos de um terço da superfície do planeta - registaram uma diminuição de 2,4 por cento desde 1990, segundo o relatório "State of the World's Forests 2001" da FAO (Food and Agriculture Organization). A perda traduz-se na diminuição das fontes de sustento e destruição da biodiversidade.

Nos últimos doze anos, as maiores perdas florestais registaram-se no continente africano, onde 52,6 milhões de hectares - correspondendo a 0,7 por cento do seu coberto florestal - já desapareceram.Segundo o Banco Mundial, desde 1960 o planeta perdeu um quinto das florestas tropicais.Segundo a FAO, a taxa global de desflorestação durante a década de 90 foi de nove milhões de hectares por ano. No ano passado, a WWF (World Wildlife Fund) informava que as taxas de desflorestação aumentaram na África tropical, permaneceram constantes na América Central e diminuiram ligeiramente na Ásia Tropical e América do Sul.Actualmente, dois terços das florestas do mundo estão situadas em apenas dez países: Federação Russa, Brasil, Canadá, EUA, China, Austrália, República Democrática do Congo, Indonésia, Angola e Peru.No ano 2000, dez por cento das florestas mundiais encontravam-se em áreas protegidas. No entanto, mesmo estas são vulneráveis à poluição, caça ilegal e exploração agrícola ilegal.As causas directas da desflorestação passam pelas pragas de insectos e doenças, incêndios, sobre-pastoreio, sobre-exploração madeireira, má gestão das florestas de produção, poluição atmosférica e fenómenos climáticos extremos. A pobreza, crescimento populacional, comércio de produtos florestais e políticas macro-económicas são as causas indirectas apontadas pela FAO.Apesar das florestas tropicais albergarem 50 por cento da biodiversidade, apenas oito por cento estão protegidas legalmente.A perda e fragmentação destes habitats trazem pressões acrescidas para a biodiversidade do planeta, declara o PNUA (Programa das Nações Unidas para o Ambiente) no seu relatório Global Environment Outlook 3. A área total de zonas protegidas, como parques nacionais, aumentou de 2,78 milhões de quilómetros quadrados em 1970 para 12,1 milhões no ano 2000. Um inquérito a 93 dessas áreas mostrou que a maioria tem tido sucesso na diminuição da limpeza de zonas florestais mas não tanto no combate ao abate ilegal, caça e incêndios.




Alguns números Ásia: a sobreexploração de madeira e expansão da agricultura, esquemas de irrigação, urbanização, projectos hidroeléctricos, catástrofes naturais, guerras e incêndios são os responsáveis pela desflorestação. As florestas na bacia do rio Mekong têm sido exploradas a tal ponto que são hoje consideradas de qualidade criticamente baixa. A adopção de políticas de gestão da floresta e agricultura na Tailândia, Vietname e Cambodja têm abrandado o processo de desflorestação. África: a África representa 17 por cento do coberto florestal do Mundo. Neste continente, a desflorestação é causada pelo crescimento populacional, seca, expansão agrícola, extracção de combustíveis, incêndios, guerras civis e instabilidade política. Durante 1990 a 1995, a África perdeu o seu coberto florestal a um ritmo anual de 0,7 por cento. No entanto, 90 por cento da sua população depende da queima da madeira e outra biomassa para energia. América Latina e Caraíbas: Metade da região ainda é coberta por florestas, mas três por cento foi perdida durante 1990 e 1995. O Brasil perdeu 15 milhões de hectares em 1988-1997. A expansão das zonas agrícolas através da queima da floresta é a principal ameaça, a par da exploração ilegal de madeira, incêndios e urbanização.




Fonte e direitos de imagem: Publico

Ministra pede ao BNDES linha de crédito para exploração sustentável de áreas na Amazônia

Ministra pede ao BNDES linha de crédito para exploração sustentável de áreas na Amazônia

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pediu hoje (26) à diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a criação de linhas de financiamento para empresas que queiram explorar, de forma sustentável, áreas da floresta amazônica. Essas áreas são os distritos florestais que o ministério está criando e onde empresas privadas poderão explorar recursos naturais de forma sustentável – por exemplo, com o replantio das árvores retiradas do local. A ministra citou duas dessas áreas: o distrito florestal de Carajás (PA), que deverá ser criado em março, em uma área de um milhão de hectares, e a região cortada pela rodovia BR-163, que liga Santarém (PA) a Cuiabá (MT). Esse distrito florestal já foi criado mas ainda não está sendo explorado. Outros dois distritos deverão ser criados até o final do ano na região amazônica. “O financiamento é importante porque o manejo em bases sustentáveis tem custos de produção maiores do que aqueles que acontecem de forma ilegal. Então, são necessários incentivos tanto para os produtores e manejadores, quanto para se desenvolver apoio tecnológico, pesquisa e apoio às comunidades. E Carajás é uma região complexa, devastada, com altíssimo impacto ambiental”, disse Marina Silva. No distrito florestal de Carajás, 60% da área deverão ser destinados a espécies vegetais nativas e 40%, a árvores que possam ser transformadas em carvão para a indústria de ferro gusa no estado. O presidente do BNDES, Demian Fiocca, disse não ver “problema de falta de recursos” para as novas linhas de crédito. E o chefe do Departamento de Meio Ambiente da instituição, Eduardo Bandeira de Melo, acrescentou que o financiamento “tanto pode ser para a produção de florestas homogêneas, visando à produção de carvão, como para a recuperação de áreas degradadas”. Na área da BR-163, segundo a ministra Marina Silva, está prevista a concessão de florestas e o BNDES poderá apoiar a exploração sustentável, evitando o desmatamento para outras finalidades, como a pecuária ou a produção de grãos. Demian Fiocca lembrou que o BNDES já tem uma linha de apoio a florestas de outra natureza, na área de papel e celulose, e cujas condições poderiam ser adaptadas. E informou que nova reunião com técnicos do ministério foi marcada. “O contato será permanente”, disse.
Fonte: A Tarde On-Line

Mancha florestal de Bornéu e Sumatra poderá desaparecer em 2022

Mancha florestal de Bornéu e Sumatra poderá desaparecer em 2022

Redes comerciais organizadas estão a abater ilegalmente as florestas tropicais do Sudeste asiático a um ritmo mais acelerado do que se pensava. Um relatório da ONU divulgado hoje, em Nairobi, alerta que, se nada for feito, 98 por cento das florestas das ilhas de Bornéu e de Sumatra poderão desaparecer em 2022.
"A situação já é delicada para os orangotangos", salienta o relatório, elaborado pelos especialistas do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (Pnua), com sede na capital queniana."O rápido desaparecimento das árvores que fornecem alimento, a matança de orangotangos deslocados pelo abate ilegal e pela extensão das plantações e a fragmentação da floresta que sobra constituem uma emergência ao nível da conservação", lê-se no relatório.O organismo da ONU culpa uma rede de empresas multinacionais pela crescente pressão sobre os parques nacionais indonésios, tidos como um dos escassos recursos para exploração comercial madeireira."Apelamos hoje à consciência de todo o mundo: não comprem madeira não certificada", declarou Rachmat Witoelar, ministro do Ambiente da Indonésia, à margem de uma conferência do Pnua no Quénia. O ministro salientou que o abate ilegal está a destruir 37 dos 41 parques nacionais do país."[O abate ilegal] não está a ser realizado por indivíduos pobres mas por redes comerciais bem organizadas", denunciou Achim Steiner, director-executivo do Pnua.Fiscalização debate-se com falta de meiosNos últimos anos, o Governo da Indonésia destacou forças militares em pelo menos três ocasiões para confiscar madeira e perseguir os responsáveis pelo abate ilegal e começou a treinar equipas policiais para proteger os parques nacionais.Os peritos queixam-se de que essas equipas estão limitadas pela falta de fundos, de veículos, de armas e de equipamento e enfrentam ameaças dos madeireiros, muitas vezes protegidos por milícias armadas comandadas a partir do estrangeiro.O relatório da ONU — que usou imagens de satélite e dados do Governo indonésio — afirma que os habitats dos orangotangos estão a ser destruídos a um ritmo 30 por cento superior ao que se pensava anteriormente. Em 2002 estimava-se que existissem 60 mil destes primatas nas selvas do Bornéu e de Sumatra. Hoje, as populações estarão reduzidas a metade desse número e poderão mesmo extinguir-se em 20 anos.

Fonte: Publico

PF prende nove pessoas acusadas de exploração ilegal de madeira

PF prende nove pessoas acusadas de exploração ilegal de madeira

A Polícia Federal de Ribeirão Preto, cidade a 314 km de São Paulo, prendeu, nesta quinta-feira, nove pessoas acusadas de exploração ilegal de madeira na segunda fase da Operação Pinóquio. A iniciativa visa combater o desmatamento da Estação Experimental de São Simão, reserva florestal do estado de São Paulo.O local foi invadido há cerca de dez anos e desde então ocorre a extração ilegal. A estimativa é de que cerca de 120 mil árvores já tenham sido derrubadas. As autoridades também investigaram a receptação de árvores cortadas no Horto Florestal de Ribeirão Preto. Segundo a PF, os acusados, entre eles um vereador, planejavam queimar o que sobrou da floresta. Com a ação de 2007, já são 18 pessoas detidas pelo desmatamento da região.
Fonte: Correio do Brasil

Desmatamento contribuiu para aumento de CO2

Desmatamento contribuiu para aumento de CO2

As pesquisas apontam que a agricultura introduzida após desmatamento tem resultado em fortes impactos, aumentando a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera. A expansão da agricultura através da derrubada de florestas durante os últimos 140 anos levou a uma maior liberação gás carbônico. E o Brasil é o maior responsável pela emissão de gases de efeito estufa pela mudança no uso da terra. De acordo com estudos da Universidade de Campinas (Unicamp), a maior parte dos desmatamentos ocorridos na Amazônia Legal - que abrange os estados de Mato Grosso, Pará, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, Amapá, Tocantins e parte do Maranhão - é devido à conversão da floresta em pastagens. Em 1994, o desmatamento na Amazônia Legal alcançou 470 milhões de hectares. Deste total, aproximadamente 45% ficaram ocupados pela bovinocultura de corte (produção de carne bovina) a partir da derrubada da floresta tropical, 28% ficaram ocupados por floresta secundária após abandono dos pastos (depois de 1970) e 2% ficaram ocupados por pastagens degradadas. A área restante ficou ocupada pela agricultura (5%), floresta secundária oriunda de agricultura abandonada (2%) e floresta secundária anterior a 1970 (17%). Os pesquisadores reconhecem que, atualmente, a abertura de novas áreas de floresta para implantar sistemas agropecuários não é desejável. Isto devido a dois momentos de forte emissão de CO2 (gás carbônico) para a atmosfera: um no desmatamento seguido da queimada e outro, com o preparo do solo pela aração seguida de sucessivas gradagens niveladoras para adequar a superfície do solo para receber as sementes. O preparo do solo pela aração pode resultar em um aumento na emissão de gás carbônico. “O problema deste tipo de agricultura convencional, embasada na operação de preparo do solo pela aração seguida de diversas gradagens niveladoras, se agrava pelo fato desta operação ser realizada, no mínimo, duas vezes ao ano na agricultura brasileira”, afirma o pesquisador Orlando Oliveira Telles. “Além disto, a aração do solo predispõe à erosão hídrica, que contribui para o agravamento das emissões de CO2 para a atmosfera”, acrescenta. Segundo ele, nos anos 70, devido aos sérios problemas de degradação das terras pela erosão, foi introduzido no Sul do Brasil o sistema plantio direto, que consistia em instalar lavouras de milho, trigo e soja sem necessidade de preparo do solo. Com isso os agricultores, motivados pelos menores riscos envolvidos no plantio direto em relação à agricultura convencional, adotaram o novo manejo do solo que combate eficazmente a erosão e, hoje, no Brasil, ocupa atualmente 17 milhões de hectares (40% da área sob agricultura de plantas anuais).(MM)
Fonte: Diario de Cuiabá

Greenpeace pede fim da destruição de floresta no Congo

Greenpeace pede fim da destruição de floresta no Congo
O Greenpeace denunciou, em comunicado, o descumprimento, por parte das empresas madeireiras, da proibição oficial da derrubada de árvores

BRUXELAS - A organização ambientalista Greenpeace denunciou a derrubada ilegal de árvores na selva congolesa e reivindicou às autoridades da República Democrática do Congo (RDC) e ao Banco Mundial que trabalhem para frear a destruição da segunda floresta mais extensa do mundo, atrás da Amazônica.
O Banco Mundial e diversas ONGs se reunirão na segunda e terça-feira, em Bruxelas, para realizar uma conferência sobre gestão a longo prazo das florestas da RDC.
O Greenpeace denunciou, em comunicado, o descumprimento por parte das empresas madeireiras, da proibição da derrubada de árvores na floresta congolesa, introduzida pelas autoridades da ex-colônia belga em 2002.
Segundo o Greenpeace, estão sendo destruídos 294 mil hectares de floresta numa única província, na região congolesa de Lago Tumba.
A derrubada de árvores ameaça a existência tanto das numerosas comunidades de pigmeus e bantus, como de diversas espécies animais que habitam a área, especialmente elefantes, assim como de madeiras cotadas a alto preço no mercado europeu, para onde são exportadas.
O coordenador de uma ONG congolesa contra a destruição do meio ambiente, Matthieu Yela, denunciou que "as empresas madeireiras prometem construir colégios e hospitais, mas só buscam lucro a curto prazo e no final abandonam o lugar devastado, os colégios sem-teto, e os centros médicos sem remédios".
Fonte: estadão.com.br

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Expansão e modernização envolvem 320 milhões de euros

Expansão e modernização envolvem 320 milhões de euros
Com a presença do ministro da Economia e Inovação, a Celbi/Altri assinou ontem um contrato de investimento superior a 320 milhões de euros para expansão e modernização da empresa, que deverá manter os 230 postos de trabalhoPassados 40 anos de implantação na Figueira da Foz a Altri/ /Celbi prepara-se para uma grande modernização na sua unidade fabril na Praia da Leirosa, na Figueira da Foz, que vai aumentar a sua capacidade de produção de 300 para 5500 mil toneladas anuais, explicou ontem o administrador da Altri. Paulo Fernandes falava na recepção ao ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, que visitou esta indústria de celulose e assistiu à assinatura do contrato de investimento entre o Estado Português, a Altri SGPS, S. A. e a Celulose Beira Industrial (Celbi), S. A.A decisão foi tomada pelo Conselho de Ministros em 28 de Dezembro último, que aprovou as minutas do contrato de investimento e respectivos anexos, tendo como objecto a expansão e modernização da unidade industrial localizada na Figueira da Foz Este projecto de investimento destina-se à expansão e modernização da unidade fabril da Celulose Beira Industrial (Celbi), S.A. e envolve a adaptação, em cada fase do ciclo produtivo, das melhores tecnologias disponíveis e a construção de um ramal ferroviário interno que servirá o armazém fabril. O projecto permitirá à Celbi aumentar a qualidade do seu processo e do produto final, reduzindo os riscos e incrementando a eficiência ambiental da produção, assim como potenciar um aumento substancial da sua capacidade produtiva e das exportações.O investimento em causa supera os 320 milhões de euros, prevendo-se a manutenção de 230 postos de trabalho directos e mais de um milhar indirectos, bem como o alcance de um valor de vendas acumulado de cerca de 24 milhões de euros no final de 2009 e de cerca de 266 milhões de euros no final de 2016, ano do termo da vigência do contrato.Paulo Fernandes realçou ainda a brevidade do Governo em apoiar este investimento, apelando aos empresários portugueses «para não adiarem os seus projectos».Seguiu-se a assinatura do protocolo entre Paulo Fernandes (Altri) e Basílio Horta (API), encerrando a cerimónia o ministro da Economia e Inovação. Manuel Pinho falou da indústria do papel como um sector relevante a nível europeu, afirmando que Portugal está «entre os três primeiros países da Europa na produção de papel». O governante adiantou ainda que este investimento vai aumentar significativamente a capacidade de produção na Celbi, uma unidade das «mais modernas no mundo» e que exporta, praticamente, 100% do produto.Deixou também um apelo aos empresários para «investirem na modernidade e nas novas tecnologias», podendo recorrer aos apoios que o ministério disponibiliza com a maior brevidade.Além do ministro, estiveram presentes o secretário de Estado da Indústria, Castro Guerra, o presidente da Câmara Municipal, Duarte Silva, e muitas outras entidades e empresários, que inicialmente fizeram uma visita à fábrica seguida de uma breve apresentação.
Fonte: Diario de Coimbra

Floresta bate Autoeuropa , Inventário - Sector exporta 2,5 mil milhões


Floresta bate Autoeuropa


A floresta contruibui com dez por cento da totalidade das exportações portuguesas, revelou ontem o ministro da Agricultura, Jaime Silva, ao apresentar o Inventário Florestal Nacional 2005/2006, que traça um retrato pormenorizado das árvores, mato e de outras áreas arborizadas.


Sublinhando a importância que a floresta tem para o País, Jaime Silva fez notar que, em 2005, o sector exportou 2,5 mil milhões de euros, “um valor superior ao da Autoeuropa, cuja importância para Portugal todos conhecem”.Para o ministro, o inventário vai permitir tomar as decisões mais apropriadas para manter a sustentabilidade da floresta, contribuir para combater os incêndios e suportar a indústria florestal. “O Inventário de 2005/2006 é importante para todas as actividades que dependem economicamente da floresta, pois permite conhecer a área florestal e o volume que alimenta indústrias tão importantes como a do sobreiro, cortiça celulose e da madeira”, referiu.O inventário revela que Portugal tem uma área de 3412 milhões de hectares de floresta, à qual se juntam 1898 milhões de hectares de mato, 3028 milhões de hectares de terreno agrícola e 413 milhões de hectares de áreas sociais. A base de dados revela, igualmente, quais os tipos de arvoredo predominantes nas várias regiões do País, o que pode ajudar a ordenar melhor o território florestal.Segundo o ministro, este documento – que passará a ser actualizado anualmente – permitirá que se evitem repetir erros como “a plantação de eucaliptos em zona de montado, quando há áreas abandonadas” ou aumentar a plantação de árvores folhosas que re- sistem melhor aos incêndios. ÁRVORES EM PORTUGALDesde o último inventário existente, que data de 1995/98, o panorama florestal mudou em Portugal resultando dos dados que se seguem.PINHEIRO BRAVO Puros - 2005/6541,7Mistos dominantes - 2005/6 168,9EUCALIPTOPuros - 2005/6 560,9 Mistos dominantes - 2005/6 85,8SOBREIROPuros - 2005/6 591,7Mistos dominantes - 2005/6 145,0AZINHEIRAPuros - 2005/6320,5Mistos dominantes - 2005/6 67,8CARVALHOPuros - 2005/6 75,4Mistos dominantes - 2005/6 42,5PINHEIRO MANSOPuros - 2005/653,5Mistos dominantes - 2005/6 30,4CASTANHEIROPuros - 2005/624,1Mistos dominantes - 2005/6 4,1FOLHOSAS DIVERSASPuros - 2005/670,6Mistos dominantes - 2005/6 26,2RESINOSAS DIVERSASPuros - 2005/612,0Mistos dominantes - 2005/6 2,2OUTRAS FORMAÇÕES LENHOSAS E DIVERSASPuros - 2005/63,4Mistos dominantes - 2005/6 14,6TOTALPuros - 2005/6 2253,8Mistos dominantes - 2005/6 587,5Fonte: Direcção-geral dos serviços florestais.


Fonte e direitos de imagem: Correio da Manhã, Sandra Rodrigues dos Santos

Azambuja e Rio Maior já têm Zona de Intervenção Florestal

Azambuja e Rio Maior já têm Zona de Intervenção Florestal
Projecto conta já com a adesão de 81 proprietários
Uma Zona de Intervenção Florestal (ZIF) com um território com cerca de oito mil hectares envolve mais de metade dos proprietários e produtores florestais dos concelhos de Azambuja, Cadaval e Rio Maior. A segunda ZIF do país foi criada oficialmente no sábado, 3 de Fevereiro.
Esta ZIF, que abrange uma área onde predomina o eucalipto, é a maior, até ao momento, e conta já com a adesão de 81 proprietários e produtores florestais, ou seja, cerca de 60 por dos proprietários da região. Em declarações à Lusa, o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e das Florestas, Rui Nobre Gonçalves, que presidiu à sessão solene de criação da segunda zona, destacou o facto desta ZIF conseguir "congregar grandes e pequenos proprietários e esta reunião vai permitir que os pequenos proprietários tenham também lugar e possam ganhar com a gestão desta zona florestal", afirmou.
A Associação de Produtores Florestais (APAS) é a entidade gestora da ZIF de Azambuja, Rio Maior e Cadaval De acordo com o secretário de Estado, as ZIF permitem desenvolver outras áreas económicas ligadas às florestas e que podem "complementar a exploração florestal". No caso específico da ZIF dos concelhos Cadaval, Rio Maior e Azambuja, a caça e o turismo são as actividades em observação. A criação das ZIF foi aprovada em Junho do ano passado pelo Governo para que proprietários e produtores possam gerir este património de forma correcta.

Fonte: O Mirante On-Line

Responsáveis da Unimadeiras estiveram no Brasil

Tal como já havia sucedido anteriormente, a Unimadeiras, sedeada em Albergaria-a-Velha, reuniu Produtores e Empresários Florestais de todo país e realizou uma visita de estudo, com carácter de formação/sensibilização.Desta vez, e apenas dois anos volvidos das visitas efectuadas à Suécia e à França, o local escolhido foi o Brasil, mais concretamente o Estado da Bahia e duas das maiores Celuloses daquele continente: a Veracel (detida pela Storaenso e pela Aracruz) e a Suzano.Em colaboração com a Loja da Floresta, a Unimadeiras aproveitou a fase final de implementação dos Princípios e Critérios do FSC - Forest Stewardship Council (norma internacional de gestão florestal) nas propriedades da empresa e dos seus Associados, tendo em vista a Certificação, como forma de alargar saberes e melhor compreender diferentes conceitos e diferentes métodos de gestão florestal.Esta visita, realizada durante nove dias do passado mês de Dezembro, juntou 24 Produtores e Empresários Florestais e teve como objectivo principal conhecer e testemunhar as práticas silvícolas e de exploração (desde a criação em laboratório de plantas clonadas ao processo de plantação, manutenção e exploração das arvores) mais frequentemente praticadas pela Industria de Celulose Brasileira.A escolha deste país - elucidou António Loureiro, Presidente da Unimadeiras - «deveu-se ao facto do Brasil ser mundialmente conhecido pelos impressionantes índices de qualidade e de produtividade da floresta de eucalipto, fruto de anos de desenvolvimento genético e da aplicação efectiva de modos e de práticas silvícolas e de exploração apropriadas à espécie».Paralelamente à implementação de metas de rentabilidade e de produtividade ambiciosas, desenvolveram-se técnicas e métodos que, em Portugal, ainda são uma miragem, fundamentalmente no que respeita ao desenvolvimento de clones, à aplicação das normas de higiene e de segurança no trabalho, às preocupações sociais e ambientais, à certificação florestal e, em especial, na melhoria das práticas e técnicas florestais, desde o planeamento da plantação à exploração florestal.Ainda segundo António Loureiro, «a grande diferença, que nos afigurou logo no primeiro dia, é que, em Portugal, com a sua tão “singular” “industria de fogo” (que no Brasil não existe) continua-se a discutir, a legislar, a estudar, a ponderar e a analisar». – enfatiza o Presidente da Unimadeiras, sintetizando mais esta acção formativa da instituição a que estão associados 600 empresários do sector florestal, espalhados por todo o país.
Fonte: Jonal regional.com

Violência e desmatamento na Amazônia

Violência e desmatamento na Amazônia

O Sul do município de Lábrea, a 702 quilômetros ao sudoeste do Estado, tornou-se o epicentro do mais novo conflito de terras do Amazonas. De acordo com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Amazonas (Fetagri-AM), a área tornou-se um 'barril de pólvora' prestes a explodir e vitimar posseiros e latifundiários. Não faz muito tempo, uma situação semelhante resultou no assassinato de uma missionária norte-americana no Pará devido a conflitos na região conhecida como Terra do Meio. Na verdade, essa história vem se repetindo há séculos na Amazônia em razão do modelo de ocupação de terras implementado pelo governo brasileiro, que por um lado causa violência no campo e por outro desmatamento. A violência e a degradação ambiental costumam ser, em geral, tratados separadamente. No entanto, fenômenos sociais costumam ocorrer a partir de uma conjunção de elementos, ou seja, existe uma interdependência entre desmatamento e os conflitos no campo, posto que ambos são afetados tanto pela concentração fundiária quanto pelas relações de trabalho e produção. O padrão da distribuição fundiária no Brasil instituiu uma dinâmica de expansão da fronteira que, em princípio, deveria evitar os conflitos por meio da facilitação da ocupação de terras devolutas. Porém, o mesmo padrão de distribuição é reproduzido nas terras da ‘nova fronteira’, que em razão da disputa pelos direitos de propriedade ainda não estão devidamente estabelecidos naquela região. Em virtude disso, os grupos com poder econômico e político têm maior acesso aos títulos de posse, o que traz como conseqüência, muitas vezes, a violência resultante do confronto entre esses grupos e os posseiros. Esses últimos, quando expulsos da terra, deslocam-se, em direção à floresta, abrindo novas terras para lavrar e, assim, ampliando a fronteira com mais desmatamento. Fica claro, então, que a relação entre posseiros e latifundiários na Amazônia pode ser compreendida como duas faces de uma mesma moeda: de um lado a degradação humana e de outro a ambiental. Neste processo, os posseiros e pequenos proprietários são, em geral, os mais prejudicados, já que são expulsos por meio da violência ou da corrupção. Interromper este ‘ciclo vicioso’ significa intensificar a presença do Estado em localidades como Lábrea. Os abusos e, conseqüente, a violência ocorre justamente pela sensação dos moradores destas regiões, sejam latifundiários ou posseiros, de que a lei brasileira não os atingem. Em decorrência disso, vale a ‘lei da selva’, ou seja, a do mais forte.
Fonte: Diario do Amazonas

Ecologistas interpelam Presidente francês sobre florestas do Congo

Ecologistas interpelam Presidente francês sobre florestas do Congo
Cannes, França (PANA) - A Greenpeace (Organização Não Governamental (ONG) da defesa do ambiente) brandiu quinta-feira na cidade francesa de Cannes uma bandeirola, apelando ao Presidente francês Jacques Chirac para se empenhar na protecção das florestas primárias da Bacia da República Democrática do Congo (RDC)."O modelo de exploração florestal defendido pela França e por outros doadores de fundos tem consequências ambientais, sociais e económicas drámaticas", afirmou os responsáveis da ONG numa conferência de imprensa organizada à margem da 24ª cimeira África-França que decorre em Cannes.A Greenpeace estima que "hoje, a segunda floresta tropical do planeta está mais do que nunca em perigo porque resiste mal à exploração industrial e aos seus efeitos, nomeadamente a pilhagem descontrolada dos seus recursos e a destruição do quadro de vida"."A exploração florestal não beneficia as populações locais mas os exploradores estrangeiros e as suas redes filiadas", denunciaram os ecologistas, apelando ao Presidente Chirac para "traduzir em actos concretos os seus discursos bonitos e empenhar-se concretamente na protecção das florestas ainda intactas da África".Por seu turno, o estadista francês, quando intervinha na abertura da 24ª cimeira África-Franca, recomendou "a continuação do embargo sobre a exploração das florestas primárias da RDC"."Este embargo deve manter-se enquanto o Estado (congolês) não conseguir exercer plenamente a sua vigilância", sublinhou Chirac para quem este encontro é o último no qual participa visto que o seu segundo e último mandato à frente de França está no fim.
Fonte: Panapress

Ministro lembra que Inventário Florestal Nacional é "muito importante" num sector exportador

Ministro lembra que Inventário Florestal Nacional é "muito importante" num sector exportador
O ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou hoje que o Inventário Florestal Nacional "é muito importante" para Portugal, sobretudo quando se sabe que o sector exporta 2,5 mil milhões de euros, valor que é superior ao da AutoEuropa.
"O Inventário de 2005/2006 é importante para todas as actividades que dependem economicamente da floresta, pois permite conhecer a área florestal e o volume de floresta que alimenta indústrias tão importantes como a do sobreiro, cortiça celulose e da madeira", disse hoje Jaime Silva na apresentação oficial das conclusões sobre o Inventário Florestal Nacional, em Lisboa.O governante referiu também que, para além de ser importante por alimentar a actividade industrial, a floresta tem "um papel fundamental" para as questões ambientais como absorvedor de carbono."Este inventário permite ainda conhecer melhor as fragilidades da floresta, orientar a indústria, e possibilitar que se adoptem os melhores instrumentos para geri-la", adiantou.Federação de Produtores critica direcção-geral por não ser autoridade nacionalA Federação Portuguesa dos Produtores Florestais de Portugal (FPFP) criticou hoje a Direcção Geral de Recursos Florestais (DGRF) por não ter desempenhado, até aqui, "um papel de autoridade nacional" que seria útil para a gestão sustentável do sector florestal."A DGRF, ao se iniciar este ano o Plano de Desenvolvimento Rural (PDR) para 2007/2013, tem a oportunidade para não se perder em medidas e por falta de decisão"."Não podemos deixar de ter uma floresta produtiva e um pleno desenvolvimento florestal sustentado, daí que se tenha de agarrar esta oportunidade, que poderá ser a última, aproveitando eficientemente os instrumentos de apoio do QREN - Quadro Estratégico de Referência Nacional para 2007/2013", salientou o secretário-geral da Federação, Ricardo Machado.Sobre os resultados finais do Inquérito Florestal Nacional, Machado afirmou que constituem um instrumento importante, mas alertou que devem ser "examinados com a máxima ponderação".Ricardo Machado referiu ainda que "é fundamental apurar a idade dos povoamentos florestais, o volume e a qualidade dos mesmos", elementos que considerou determinantes para a produtividade da floresta portuguesa.Quanto aos incêndios, que continuam a ser uma das principais ameaças dos espaços florestais, pois "são um flagelo", ameaçam, por sua vez, os povoamentos florestais adultos, que assim retomam a sua idade zero.
Fonte: Publico

AGÊNCIA ESPANHOLA LANÇA PROJETO PARA MATA ATLÂNTICA

AGÊNCIA ESPANHOLA LANÇA PROJETO PARA MATA ATLÂNTICA
Paraná será beneficiado com ações de sustentabilidade e turismo.Iniciativa priorizará índios da etnia mbyá guarani.

BUENOS AIRES - A Agência Espanhola de Cooperação Internacional (Aeci) iniciou um projeto na Argentina, Brasil e Paraguai para a conservação da Mata Atlântica, uma das regiões de maior biodiversidade na América do Sul, mas dizimada pela derrubada de árvores e pelo avanço da fronteira agropecuária.
"É uma tarefa muito ampla, com um enfoque que tem muito em conta o aspecto social, pois é preciso abordar o desenvolvimento sustentável e o cuidado com o meio ambiente mas dando opções produtivas ao povo", disse nesta quarta-feira (14) Gastón Irazusta, coordenador da Aeci na Argentina para o Projeto Regional Araucária XXI - Mata Atlântica.
O projeto terá duração de cinco anos, até novembro de 2011. A maior parte do financiamento terá fontes espanholas, canalizadas através da Aeci, com um custo de cerca de 9 milhões de euros.
A iniciativa procura preservar a Mata Atlântica na região do Alto Paraná, melhorando a qualidade de vida da população através do incentivo e desenvolvimento de atividades alternativas, como o turismo e a agricultura sustentáveis, explicou Irazusta.
As ações previstas têm um especial interesse pelo trabalho com as comunidades da etnia mbyá guarani que vivem na região e um enfoque de gênero para promover a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres no acesso e controle dos recursos naturais.
A Mata Atlântica do Alto Paraná abrangia originalmente uma área de aproximadamente 470 mil quilômetros quadrados, da Serra do Mar, no Brasil, até a província de Misiones, no nordeste da Argentina, e o leste do Paraguai. Apresentava uma área coberta por uma floresta contínua, com grande diversidade de animais e plantas.
"Atualmente restam apenas 7% da extensão original, sendo 90% está em Misiones. Por isso, o foco do projeto será a Argentina", disse Irazusta.
A Mata Atlântica desempenha um importante papel na conservação dos recursos hídricos da região e fica sobre o aqüífero Guarani, uma das maiores reservas mundiais de água doce subterrânea.
Na região vivem hoje cerca de 28,5 milhões de pessoas, 40% delas em situação de pobreza.
No Brasil, os parceiros da iniciativa serão o Ministério do Meio Ambiente e as Secretarias do Meio Ambiente dos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Autoridades argentinas e paraguaias também vão colaborar.
Uma das iniciativas incluídas no projeto é aumentar a coordenação entre o Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e seu vizinho na Argentina. Outra sugestão é a criação de um parque binacional que integre o Parque Provincial Moconá (Argentina) e o Parque Estadual do Turvo (Rio Grande do Sul).
Fonte: Globo.com

Madeira nacional só cobre metade da procura das celuloses

Madeira nacional só cobre metade da procura das celuloses
As florestas nacionais não vão conseguir corresponder às necessidades da indústria de pasta e papel. Nem agora e muito menos em relação aos investimentos anunciados para aumento de capacidade das fábricas nos próximos anos.
O alerta é do grupo Portucel Soporcel, que, face aos números do inventário florestal nacional - que será divulgado na próxima semana -, prevê que a oferta interna se fique pelos 52 por cento das necessidades actuais e 45 por cento das futuras. Resta a importação, mais cara e que oferece menos qualidade. Por isso, pede mais investimento para o eucalipto.Numa carta enviada ao ministro da Agricultura, a Portucel alerta que, nos últimos anos, o volume total em pé existente nas florestas portugueses decresceu 5,4 milhões de metros cúbicos, "quer sobretudo por efeito dos fogos florestais, quer pelo desenvolvimento da fileira florestal industrial, a qual, sem actualizações do inventário florestal, foi expandindo a sua capacidade", lê-se no documento.Desde o último inventário, de 1995, regista-se um aumento da área coberta por eucaliptal produtivo de 14,6 por cento. Mas este crescimento corresponde apenas a um acréscimo de volume na ordem dos dez por cento. Só que, face a dados intercalares recolhidos em 2000 pela Celpa - a associação da indústria papeleira -, nos últimos anos houve uma queda abrupta na disponibilidade de matéria-prima. E o volume comerciável decresceu cerca de 12 por cento.Os incêndios deram um importante contributo. Em dez anos, arderam 119 mil hectares de eucalipto. Mesmo que os povoamentos não desapareçam, as chamas interrompem o ciclo produtivo e se o proprietário não iniciar o ciclo novamente - o que implica corte e nova plantação sem que tenha havido retorno financeiro - a floresta perde produtividade. Actualmente, as indústrias de pasta e papel necessitam de 7,5 milhões de metros cúbicos de material sem casca. Num futuro próximo - tanto a Portucel Soporcel como a Altri já anunciaram investimentos que permitem aumentar a sua capacidade de produção de pasta celulósica -, serão necessários mais 1,1 milhões de metros cúbicos.Ora, "sabendo que apenas cerca de 15 por cento do volume total em pé deve ser extraído anualmente de forma a garantir a sustentabilidade física do recurso, conclui-se que a oferta interna anual de eucalipto andará na ordem dos 3,9 milhões de metros cúbicos sem casca", diz a Portucel.A exploração insustentável da floresta não é opção pois, no mercado europeu, que é o principal destino dos produtos nacionais, uma tal hipótese é penalizada pelos consumidores e seria usada como arma de arremesso pelos principais concorrentes.Resta a importação. A Portucel já está a receber madeira do Uruguai, pagando-a a 90 euros o metro cúbico, enquanto nos produtores nacionais o preço oscila entre os 42 e os 44. Com a agravante que a fibra nacional permite uma melhor qualidade no produto final.A Altri assegura metade das suas necessidades com explorações próprias, comprando o restante a privados nacionais. Aposta no aumento da produtividade das produções portuguesas mas não põe de parte ter de recorrer a Espanha. Aliás, conta já com madeira vinda da Galiza que está a ser retirada na sequência dos incêndios do ano passado.Na carta enviada ao ministro, a Portucel critica a discriminação negativa do eucalipto no Plano de Desenvolvimento Rural, que estipula os apoios para o sector agro-florestal nos próximos sete anos. E defende a utilização de solos agrícolas mais férteis para o cultivo desta espécie.Se isso não for feito, defende a empresa, estará "em causa o actual quadro do desenvolvimento da fileira florestal do eucalipto em Portugal e o futuro de um sector estruturante da economia do país."
Fonte:Publico,Ana Fernandes

Lula diz que BR-163 é modelo de desenvolvimento sustentável

Lula diz que BR-163 é modelo de desenvolvimento sustentável
Em seu programa de rádio semanal, Café com Presidente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou a construção da BR-163 como exemplo de obra feita a partir do conceito de desenvolvimento sustentável. Segundo Lula, o Brasil tem feito “com muita responsabilidade” as ações para o desenvolvimento do país buscando a melhoria da qualidade de vida das pessoas e a preservação ambiental.“Em torno dela [da BR-163] tem um projeto de exploração da floresta que pode gerar até 100 mil empregos com manejo correto da floresta. Você podendo tirar as árvores e, ao mesmo tempo, tendo a obrigação de plantar outras árvores, você vai poder utilizar a floresta com mais inteligência, com mais sabedoria, e você vai poder manter a floresta praticamente intacta tirando apenas aquilo que você pode tirar e replantando aquilo que você tirou”, disse Lula."Então, tudo que nós fizermos para o desenvolvimento do país tem de ter uma combinação perfeita entre a melhoria da qualidade de vida das pessoas levada pelo desenvolvimento e a preservação ambiental, que é um item da qualidade de vida que as pessoas precisam ter para viver bem. E isso o Brasil está fazendo com muita responsabilidade."O presidente não mencionou quando a pavimentação de aproximadamente 1.000km entre o Nortão (divisa de Mato Grosso e Pará) até Santarém (PA), onde está o porto, inicia. A rodovia será a grande responsável pelo fortalecimento econômico do norte-mato-grossense e a região Sul do Pará porque encurtará em mais de 800 km o escoamento da safra agrícola, madeira e outros produtos que é feito hoje via portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR).A projeção é fazer a obra em 4 anos e acabou sendo inserida no PAC - programa de aceleração-. Os 80 km entre Guarantã do Norte até a divisa serão pavimentados pelo Estado e as obras começam em maio. A informação foi dada, ao Só Notícias, pelo governador Blairo Maggi.
Fonte:Só Notícias com Agência Brasil

Monocultura da soja dizima floresta paraguaia

Monocultura da soja dizima floresta paraguaia


O que resta da Mata Atlântica no Paraguai está seriamente ameaçado pela agricultura, especialmente pela monocultura da soja.




O que resta da Mata Atlântica no Paraguai está seriamente ameaçado pela agricultura, especialmente pela monocultura da soja.
O Fundo Mundial pela Natureza (WWF) e um casal de suíços lançaram uma campanha internacional para proteger as últimas florestas paraguaias.

A floresta paraguaia desaparece rapidamente. Em algumas regiões, o desmatamento chega a 90% para dar lugar à cultura de soja, exportada sobretudo para alimentar animais na Europa e na China.Cortar as matas significa também a perda da diversidade e de espécies raras. Para tentar frear a destruição, apoiamos uma iniciativa internacional na Ásia e na América Latina, afirma Bella Roscher, coordenadora do projeto na seção suíça do WWF - Fundo Mundial pela Natureza.Roscher falou da iniciativa ao público que assistiu à projeção do documentário "Christine e a floresta", durante o Fórum Cinematográfico sobre Meio Ambiente, organizado em Berna pela Associação Latino-América-Suíça (ALAS).Em certas regiões do planeta, a destruição é muito rápida. "Enquanto na América do Sul, desmata-se para plantar soja, na Ásia ocorre o mesmo fenômeno mas para plantar palmeiras para a extração de óleo", explicou a swissinfo a sueca Roscher.Com essa iniciativa, o WWF tenta envolver todos os atores do mercado, principalmente associações de lavradores e de mulheres, grandes e pequenos produtores, comerciantes, mas também consumidores da Europa, O intuito é elaborar, juntos, critérios para uma produção de soja mais responsável.




Fonte e direitos de imagem: Swissinfo

Amazônia é tema de campanha da CNBB

Amazônia é tema de campanha da CNBB
Campanha propõe revisão nos padrões de comportamento e políticas para desenvolvimento sustentável
DOURADOS – A Amazônia é tema da Campanha da Fraternidade 2007, lançada oficialmente ontem em Belém do Pará. Pela terceira vez em 42 anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aborda o meio ambiente e agora propõe também uma revisão nos padrões de comportamento e políticas para o desenvolvimento sustentável. O bispo Dom Redovino Rizzardo disse ao O PROGRESSO que em Dourados o lançamento será no primeiro domingo da Quaresma, dia 25, em missa campal às 18h no calçadão da praça Antônio João, que vai reunir as nove paróquias.O texto da campanha "Fraternidade e Amazônia - Vida e missão neste chão" denuncia a agressão ao ecossistema, aponta as desigualdades entre os habitantes da Amazônia e o restante do País, fala das conseqüências da militarização, do tráfico de drogas, os problemas da ocupação de terra e a disputa por territórios. No próximo ano, com o lema "Defesa da vida", a campanha 2008 vai abordar assuntos polêmicos como aborto, eutanásia, uso de células embrionárias e pílula do dia seguinte.IMPACTOSO engenheiro florestal Bernardino Bezerra estima que a Amazônia brasileira já perdeu em torno de 30% da floresta, devido às queimadas e cortes indevidos para a exploração da madeira. "Imagine o dano ao meio ambiente, já que cada uma daquelas árvores jogava na natureza cerca de 60 litros de água por dia e que se transformava em chuvas para as cidades. Certamente a redução do verde vem alterando o regime hídrico e provocando desequilíbrios, como chuva em excesso em alguns locais e estiagem prolongada em outros. Ou, como ocorre em Dourados, a chuva acabou acontecendo em época de colheita de grãos, o que não é bom", diz.Estudo realizado pelo Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) revela que o aquecimento global ameaça a Amazônia, também conhecida como o "pulmão do mundo". As queimadas estão matando árvores milenares, num efeito de retardamento letal. O estudo do Inpa não é o único que aponta as ameaças à floresta Amazônica. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostra que o Brasil está mais vulnerável às mudanças climáticas do que se imagina, justamente por conta do aquecimento global.
Fonte: Jornal O Progresso